Afinal, IPA ou APA?

Com a proliferação de estilos de cerveja disponíveis talvez você já se confundiu ao pedir uma cerveja ao garçom. Pediu uma coisa e veio outra. Mas afinal, neste caso, não é tudo igual?

Primeiramente, os estilos não são a mesma coisa. Apesar de mudar apenas uma letra no nome, as diferenças são enormes e podem provocar histeria no bebedor mais desavisado, já que um dos estilos tem paladar bem intenso. Mas vamos por partes: afinal, o que é uma APA e o que é uma IPA?

APA – American Pale Ales

As APAs, American Pale Ales são cervejas baseadas no estilo inglês Pale Ale adaptadas para o paladar norte americano. Isso significa que, quando o mercado de cerveja artesanal explodiu nos EUA os cervejeiros locais iniciaram uma saga de copiar as cervejas de fora, principalmente da tradicional escola inglesa e posteriormente da escola Belga. Nesta saga, naturalmente, foram adaptando as receitas de fora aos ingredientes e gostos locais. Assim, substituíram os lúpulos ingleses escassos e caros por lúpulos locais abundantes e mais baratos, além de outros insumos.

Resultou que, após várias adaptações e sucessivas mudanças para o gosto local, surgiu uma receita similar as inglesas tecnicamente porém com resultados sensoriais bem diferentes. Dessa linha de raciocínio parecia óbvio que a cerveja precisava ser batizada como um novo estilo, referenciando ao gosto norte americano.

Em uma viagem simples de fim de semana encontrei uma bela APA. Mas também tivemos decepções. Saiba mais.

IPA – India Pale Ale

As IPAs, India Pale Ale são cervejas inglesas que surgiram de uma necessidade bem peculiar na Inglaterra antiga. Na época das colônias os navios da Marinha Real eram abastecidos com cerveja que alimentava os marujos durante as longas viagens as colônias. O problema é que, naquela época, como é de conhecimento, não haviam geladeiras ou dispositivos de resfriamento e aí as cervejas não aguentavam a longa viagem e chegavam estragadas.

Os ingleses precisavam então aumentar a vida útil da sua cerveja. Criaram então uma cerveja com perfil mais robusto, com menor teor de açúcar disponível no produto. Quanto menor este teor, mais difícil de bactérias e outros agentes degradantes atuarem estragando a cerveja. Além disso, os ingleses utilizaram muito mais lúpulo do que o convencional pois conheciam seu poder de conservação.

Quer uma referência de estilos completa para produzir sua própria IPA ou APA?

Neste ponto a cerveja estava mais amarga que o de costume para uma Pale Ale normal, e com o resultado da menor quantidade de açúcares disponíveis no mosto (maior fermentação), mais alcoólica também. Uma coisa levou a outra e no final o mestre cervejeiro teve que equilibrar a receita, chegando em um “consenso mínimo” entre os ingredientes que permitiu a bebida poder ser consumida por todos. Resultado final: uma pale ale agressiva, com bastante malte e lúpulo, ou seja, mais encorpada e mais amarga, que caiu no gosto dos ingleses e se popularizou. Por aqui a história não tem sido diferente, tendo boa aceitação.

American IPA

Mas espere: uma American IPA? Uma terceira “versão”? As American IPAs são como suas irmãs APAs. Versões americanizadas das receitas inglesas, adaptas aos insumos e gostos locais. Mas nada nos EUA é simples em termos de cerveja. A “onda” por lá é o culto ao lúpulo, então as versões americanas podem ser consideradas o suprassumo do amargor produzido por lúpulos. A ideia é colocar o máximo possível, tirando proveito das características dos lúpulos locais, como aroma cítrico acentuado de alguns e potência de amargor de outros. Outros processos criativos como o dry hop (acréscimo de lúpulo sem fervura, cujo objetivo é extrair perfumes para a cerveja e não amargor) também são bem comuns por lá, de forma que as versões americanas são dificilmente parecidas com as IPAs Inglesas originais.

E qual é a sua preferência? IPA ou apa?

Independente do gosto, já sabemos como pedir e o que pedir em cada caso! Até o próximo gole!

quer saber mais!?

  1. Larousse da Cerveja, Ronaldo Morado
  2. Designing Great Beers, Ray Daniels (Cap. “Bitter and Pale Ales”)