Champanhe ou Cerveja no Réveillon?

Por que nós temos o costume de celebrar ocasiões importantes “estourando” champanhe? Se formos celebrar com cerveja, diminuiremos o valor dessas comemorações? Entendemos que não, mas não custa explicar.

Em 1695, Dom Pérignon, um monge francês que era mestre da adega de um monastério da região de Champagne, na França, estava curioso sobre os efeitos da refermentação dos vinhos e ao realizar alguns testes em garrafas amarrou as rolhas com arames para aguentarem a pressão do gás da fermentação e terminou tendo sucesso em seu propósito. Surgia assim, as primeiras versões de uma das bebidas mais icônicas e prestigiadas do mundo contemporâneo e, basicamente, sinônimo de bebida indispensável às comemorações mais importantes.

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Mas no início a bebida ainda não era nada do que se conhece dela hoje. Era turva e não tinha seu aspecto dourado e cristalino. Até o ano de 1846 era ainda muito doce, inexistindo as versões meio-seca (demi-sec) e seca (brut). Além disso, as explosões constantes das garrafas nas adegas lhe renderam o apelido muito pouco apreciado de “vinho do diabo”. Na França ainda não existia a tecnologia para fazer garrafas que suportassem a pressão que se produzia nas garrafas, o que implicou o curioso fato de a Inglaterra, no princípio, superar a França na produção da bebida.

Golden Queen Bee
Golden Queen Bee: A cerveja de Ouro!

Após algum tempo, uma viúva de sobrenome Clicquot, que gozava da amizade de ninguém menos que Napoleão Bonaparte, desenvolveu o processo de clareamento da bebida. Essa proximidade fez com que a bebida caísse nas graças da chamada Madame Pompadour (amante de Luís XV), aproximando-se mais ainda dos círculos nobiliárquicos. Desta maneira o champanhe finalmente passou a ser presença certa na coroação dos reis de França, ganhando então, o apelido bem mais atraente de “vinho dos reis”. Desde então, toda grande ocasião mereceria o estouro de uma champanha ou de um champanhe.

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Para além dessa digressão histórica, a bebida é envolvente e tem características festivas. O líquido é muito límpido e borbulhante e, via de regra, muito brilhante. O estouro costumeiro da abertura das garrafas se assemelha aos estampidos de determinados fogos de artifício (em menor proporção, claro) e a fluidez do líquido que advém do hábito de agitar a garrafa tem um aspecto de abundância. Enfim, é como um show de fogos em estado líquido.

Falk Vivre pour Vivre
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Como se vê, grande parte do prestígio do champanhe vem da sua história e a outra parte, vem das suas características físico-químicas. Sendo assim, quanto à história o critério seria meramente subjetivo. É possível comparar a história de determinados rótulos de cervejas com a história dos rótulos mais famosos de champanhe e, ainda assim, teríamos uma questão de mera opinião. Mas e quanto às características físico-químicas? Haveria alguma ou algumas cervejas com as características que descrevemos anteriormente?

A resposta é AFIRMATIVA! Inclusive, existem algumas cervejas que são produzidas pelo mesmo método champenoise (fala-se xampenoáse, do francês). Algumas são tão ousadas que chegam mesmo a incluir o dito “ouro comestível” em suas receitas. Quer mais opulência do que isto?! Mas nem se considere tanto; alguns rótulos, mesmo sendo elaborados pelos padrões tradicionais de cervejaria, conseguem adquirir características físico-químicas tão festivas quanto um champanhe (às vezes até mais). Determinadas trippel belgas e algumas lambics, com ou sem adição de frutas, são capazes de alcançar resultados bem próximos.

Rótulos:

  • Champenoise:
    • Beyond The Best of Deus – Brut des Flandres (11.5% alc. vol.);
    • Malheur Cuvée Royale (9.0% alc. vol.);
    • Eisenbahn Lust (11.5% alc. vol.);
    • Double Vienna Brut (11.5% alc. vol.);
    • Wäls Brut (11.0% alc. vol.).
  • Specialty:
    • Golden Queen Bee c/ Ouro 24K
  • Tripel/Fruit:
    • Tripel Karmeliet (8.0% alc. vol.);
    • Corsendonk Agnus Tripel (7.5% alc. vol.);
    • Falke Bier Vivre Pour Vivre (4.7% alc. vol.).