Harmonização com Cervejas

“Eu só preciso de pé de porco e cerveja”, Janis Joplin, cantora norte-americana

Para se degustar qualquer alimento (bebida, comida, etc) é preciso estar atento. É sempre uma experiência única e individual. Os aromas, os sabores, o visual, a temperatura, a companhia, a motivação e o momento da experiência são ingredientes fundamentais da degustação.
Considerada mais versátil do que o vinho, a cerveja pode ser mais interessante do que ele nas experiências de harmonização com gastronomia. Isso porque, de todas as bebidas, a cerveja é a que é capaz do maior número de interações de paladar, aroma e sabor. Isso é natural pelo fato de existir tanta variedade de estilos e sub-estilos de cerveja, o que se conta às centenas.

Joelho de porco em restaurante típico alemão, em Berlim. Harmonização perfeita!
Joelho de porco em restaurante típico alemão, em Berlim. Harmonização perfeita!

Ela apresenta uma variedade incrível de sabores e aromas, como os de cereais, biscoito, caramelo, café, chocolate, pão, banana, azeitonas, cítricos, defumados, castanhas, frutas, ervas e muito mais. Além disso, as diversas intensidades de amargor, carbonatação, refrescância, cor, temperatura de serviço e teor alcoólico aumentam as possibilidades de combinações ou harmonizações. Existem estilos de cerveja que combinam com frutas, outros com queijos, outros com saladas, outros com doces e assim por diante.

A cerveja é considerada a bebida perfeita para harmonizar com:

  • Queijos: neutraliza a gordura e a dissolve na boca;
  • Saladas: acrescenta refrescância e leveza;
  • Apimentados: ameniza o calor da pimenta;
  • Carnes: neutraliza a gordura e ameniza o sal;
  • Sobremesas: combina com o doce sem intensifica-lo.

Alguns conceitos básicos

  1. Equilibre as intensidades – Pratos delicados funcionam melhor com cervejas delicadas, assim como alimentos com sabor forte exigem cervejas intensas. Intensidade de sabor pode envolver muitos aspectos: teor alcoólico, caráter de malte, amargor do lúpulo, doçura, torrado e assim por diante;
  2. Encontre harmonias – Combinações muitas vezes funcionam melhor quando compartilham algum sabor ou aroma comum. Por exemplo, o sabor de nozes de uma Brown Ale inglesa com um queijo cheddar; o sabor torrado de uma Imperial Stout e chocolate trufado; sabores caramelo de uma Oktoberfest e carne de porco são alguns exemplos;
  3. Contraste e complemento – Todas as combinações de cerveja e comida devem envolver esses dois princípios. Em alguns casos serão mais dependentes dos contrastes, outros em sabores complementares, mas todos devem apresentar algum tipo de equilíbrio. Considere doçura, amargor, carbonatação, calor (picância) e riqueza. Isto pode parecer um pouco complicado, mas é realmente bastante simples. Características específicas de comida e cerveja interagem umas com as outras de modo previsível.

Aproveitando essas interações, garanto que a comida e a cerveja vão equilibrar uma à outra, enriquecendo-se mutuamente. Para mim, queijos são as companhias perfeitas para as cervejas. Mas alerto: a harmonização de bebida e comida é uma experiência única, individual. Por mais que se ouça ou leia, não existem regras – no máximo, sugestões.

Ronaldo Morado
@ronaldomorado

Quer saber mais?

Como sugestão do editor, seguem dois livros muitos bons para se ter a mesa quando o assunto é hamonização.