Niels Bohr: Cientistas Cervejeiros III

Diz a lenda que Bohr tinha ligações tão estreitas com a cerveja que havia uma torneira cervejeira ligada diretamente da fábrica a sua casa. Ela havia servido de inspiração e abriu sua mente para a criação dos modelos atômicos e estudos quânticos que faria. Será?

O prêmio Nobel de física do ano de 1922, Niels Bohr, foi assim agraciado por seu revolucionário modelo atômico que descrevia o átomo com um núcleo positivo e elétrons de carga negativa que orbitavam em torno deste. Foi definitivamente um grande passo para o entendimento dos modelos atômicos e da estrutura da matéria, e uma base sólida para a teoria moderna do assunto.

Bohr nasceu em uma família de cientistas. Seu pai foi um notável e aclamado internacionalmente fisiologista Dinamarquês. Desta forma ele cresceu em meio a outros cientistas e aos estudos. Dinamarca e ciência, aquela época pelo menos, significava cerveja. O contato de Bohr com a cerveja vem da Fundação Carlsberg. Ela mesmo, da qual já falei algumas vezes aqui no site. (Veja mais aqui em Carlsberg: cervejas a serviço da sociedade e Emil Hansen: cientista cervejeiro II)

A Fundação Carlsberg iniciou seu relacionamento com Bohr em 1911, quando o mesmo realizou uma inscrição para financiamento dos seus estudos de doutorado na Inglaterra, onde trabalhou com Rutheford, outro notável cientista do estudo da matéria. Daí em diante Bohr foi financiado inúmeras vezes pela Fundação Calsberg, com fundos para pesquisa, investimento em equipamentos e até complementação salarial. Pra quem não acompanhou os outros posts, esta fundação foi criada pelo desejo do fundador da Carlsberg, um grande homem que amava a ciência e as artes, além da cerveja, é claro.

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Quando Bohr foi agraciado com o Prêmio Nobel em 1922, apesar de já ser um notável cientista no mundo e em especial na Dinamarca, ele virou o centro total das atenções na comunidade científica internacional. Em 1923 recebeu mais um convite para ir trabalhar fora da Dinamarca, agora com seu orientador de Doutorado. Este convite foi um dos poucos que o balançou, que tinha profundas raízes na Dinamarca. No entanto, a Fundação Carlsberg teve papel determinante para que Bohr continuasse por lá: criou uma posição especial para o mesmo como “cientista livre”, e complementou seu salário, o que fez com que o mesmo continuasse na Dinamarca. Ou seja, criou uma posição onde o mesmo pudesse realizar suas pesquisas e deu condições financeiras para ele aceitasse a oferta. Com isso, ele permaneceu na Dinamarca até o final da sua vida.

Bohr aproveita a vista da varanda da sua casa
Bohr aproveita a vista da varanda da sua casa

A Fundação Carlsberg mantinha uma casa para abrigar cientistas de destaque, onde o escolhido pudesse viver livremente pelo período da sua vida. Era um reconhecimento e tanto! Esta casa era originalmente do fundador da Carlsberg e foi doada a Fundação para este propósito apenas. Quando o último morador da casa faleceu, esta foi oferecida a Bohr, e o mesmo fixou residência na mesma por mais de 30 anos. Aqui surge a lenda.

A casa fica próxima a cervejaria, de onde supostamente saia uma conexão diretamente a uma torneira cervejeira, que provia cerveja infinita ao seu morador. Realmente este seria um presente e uma honra em tanto para um grande cientista, não fosse o teor improvável que carrega esta ideia. Na verdade, existem publicações de renomados veículos de comunicação dizendo que era verdade, e que além disso, foi dada a ela por ter ganhado o prêmio Nobel. A verdade é que foi emprestada, não dada. E parcialmente porque ele ganhou o Nobel, mas não totalmente: ele conquistou notoriedade na sociedade Dinamarquesa nas áreas de ciência, artes e literatura (critérios para a seleção do morador pela Academia Real Dinamarquesa de Ciência e Letras).

Confira também: Literatura cervejeira

A ligação entre Bohr e a cerveja pode até ser indireta, mas definitivamente é uma honra para a cervejaria ter seu nome e ações envolvidas com um dos maiores cientistas de todos os tempos. Ainda, manter e honrar compromissos com a ciência, literatura e artes ao longo de tantos anos é sem dúvida uma contribuição enorme para a sociedade. Quanto a Bohr, esperamos que ele tenha bebido bastante cerveja entre um estudo e outro, e não é difícil de se imaginar que isso seja verdade pelo contexto. Mas afirmar categoricamente é outra coisa.

Quer saber mais?

  1. Niels Bohr e a Fundação Carlsberg
  2. Biografia de Niels Bohr, Prêmio Nobel 1922