Review: Brewing Better Beer

Lições imperdíveis de quem se destacou como um dos “maiores” cervejeiros caseiros dos tempos modernos. Tri-campeão do mais importante campeonato de cervejeiros caseiros nos EUA, Strong definitivamente tem o que falar e contribuir com qualquer cervejeiro caseiro.

Gordon Strong começou a participar de campeonatos quando descobriu que apesar do sustento vir do seu trabalho, ele era apenas uma forma de ser pago, e não sua paixão. Daí em diante ele decidiu que iria se dedicar ao que mais gostava de fazer: cerveja. Apesar do romantismo envolvido no assunto, ele começou a pensar sobre o assunto após um acidente onde poderia ter sido gravemente ferido. Um barril explodiu e pegou fogo quando ele e um amigo tentavam esterilizá-lo. Esta experiência de quase morte, como ele mesmo define, foi o empurrão necessário para sua carreira de cervejeiro caseiro.

gordonstrongBom pra todos nós! Após o bi-campeonato e de tanto ser questionado Strong decidiu que era melhor escrever um livro. Possivelmente também mais lucrativo! Assim organizou as ideias e pôs no papel o que ele define como sua filosofia de fazer cerveja. Existe um capítulo inteiro dedicado a explicar esta filosofia. A filosofia aqui é definida como “o pensamento e as maneiras de encarar a fabricação de cervejas”.

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Mais do que isso, ele conta sua história e vai mostrando o quanto se dedicou aos estudos na área. Nada que um cervejeiro caseiro que se preze já não tenha feito: lido e estudado bastante sobre o assunto. Mas Strong definitivamente tinha uma força interior grande e conseguiu passar isso para suas cervejas. Strong cita 5 pontos comportamentais que um bom cervejeiro deve ter:

  1. pensar como um engenheiro: processos, controle e resolução de problemas;
  2. pensar como um carpinteiro:  da teoria para a prática da realidade;
  3. pensar como um juiz: análise crítica de todos os aspectos envolvidos;
  4. pensar como um chefe: do conceito criativo a prática, passando pelos processos e corrigindo os problemas na hora em que acontecem; e
  5. pensar como um mestre Jedi: gerenciar as influências mantendo a visão e o objetivo, sem se comprometer.

Este último é mais papo nerd, mas ainda assim a mensagem é sem dúvida interessante: saiba o que está fazendo, saiba onde quer chegar, saiba corrigir desvios, seja criativo sem deixar tudo a perder e mantenha o foco.
Dito isso, o livro começa com uma seção de Técnicas de Processo produtivo. Os fundamentos e detalhes avançados de todas as etapas de processo são discutidas neste capítulo. Das curvas de descanso as infinitas possibilidades de adição de lúpulos e suas consequências, tudo é comentado. Inclusive as últimas técnicas que os cervejeiros caseiros vem usando, como não realizar a lavagem de grãos e os métodos envolvidos nesta etapa. A cada técnica ou etapa importante, uma ilustração de peso: receitas campeãs ou somente receitas de um campeão. E nada de receitas de extrato – somente “All Grains”, do jeitinho que fazemos por aqui.

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A próxima seção descreve como aproveitar ao máximo o seu equipamento cervejeiro. Novamente, tudo é abordado. Do moedor de grãos e termômetros até panelas e trocadores de calor. Além de dicas e descrição do que é melhor ser utilizado, algumas abordagens não convencionais mostram porque Strong é o maior campeão de concursos. Páginas descrevem como medir a acuracidade do seu equipamento, introduzindo conceitos de calibração, aproximação de medidas e estimação de parâmetros. Faz diferença saber qual a taxa de evaporação do seu equipamento na fervura? Faz! Aquele que conhece suas fontes de erros controla melhor seu processo.

A preparação do mestre Jedi cervejeiro segue com os ingredientes. Saber selecionar, usar e extrair o máximo dos ingredientes é comum entre os chefes de cozinha, e deveria ser entre os cervejeiros. Basta ir a loja de insumos e comprar qualquer um que deseja ou similar e tudo vai sair bem? Definitivamente não. Este não é um capítulo exaustivo do assunto, e obviamente existem outras bibliografias indicadas para tratar cada um dos ingredientes. Para mais detalhes, consulte as publicações abaixo:

  1. Hops (lúpulos)
  2. Yeast (leveduras)
  3. Malts (maltes)
  4. Water (água)

Daqui em diante o livro de atém a aumentar as possibilidades de técnicas, métodos e análises para se construir uma boa cerveja. Uma seção dedicada a análise da cerveja, com foco nos possíveis erros e desvios de estilo. É importante citar que Strong é presidente do BJCP desde 2006. Pra quem não conhece, o BJCP é o principal guia de estilos cervejeiro atualmente. Ele define em que um estilo de cerveja difere de outra. O que de uma IPA é diferente de uma Pale Ale? Com mais de 100 estilos, um guia pra ajudar a se lembrar dos seus objetivos vai bem. Alguém que preside este guia certamente tem algo a dizer sobre estilos.

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Na sequência, a construção de receitas e suas técnicas e referências, como um foco interessante em balanceamento e interações entre os ingredientes. Em seguida, um capítulo sobre resolução de problemas nas cervejas e outro sobre finalização: amadurecimento, clarificação, estabilização, carbonatação, blending e outros processos. E finalmente, um capítulo sobre competições cervejeiras, que dá dicas voltadas para os campeonatos nos EUA, mas que certamente servirão a propósitos gerais em qualquer lugar.

É fácil, depois de dar uma folheada pelo livro, entender porque Strong foi campeão. Sua paixão e determinação são claros no livro, além da técnica e inteligência para conectar todos os pontos necessários. Na minha visão, uma leitura obrigatória pra quem quer se destacar na produção caseira.