Releitura para as cervejas de trigo: American Wheat harmonizada

Você gosta de cervejas de trigo? Após a popularização das cervejas artesanais, este estilo ficou um pouco de lado já que foi um dos escolhidos para abrir caminho aqui no Brasil, criando uma espécie de saturação no paladar do brasileiro. No entanto, uma releitura americana traz de volta às mesas um estilo tradicional e bem popular.

O estilo American Wheat é uma novidade relativa em termos de catalogação.  Começou a fazer parte da escola americana em meados dos anos 80 como alternativa do setor artesanal as cervejas com um perfil sensorial semelhante às cervejas de trigo alemãs ou belgas.

São cervejas de aparência bem clara, geralmente de um amarelo palha a douradas e colarinho branco bem evidente. Seus aromas contém um dulçor maltado leve e próprios do trigo, podendo ou não haver algum frutado em segundo plano. É comum haver também o acréscimo de aveia ou de centeio.

Ao contrário das cervejas clássicas de trigo da Alemanha (Weiss), os aromas marcantes de banana ou cravo não devem estar presentes, e os aromas lupulados devem ser de nível baixa a média intensidade, sempre com moderação. Lupulagem cítrica, condimentada, floral ou frutada são desejáveis. Os sabores devem ser correspondentes e o final pode variar entre seco, levemente maltado doce, lupulado com amargor, ou “crispy”.

Algumas pessoas deixam de experimentar diversos bons rótulos desse estilo de cerveja devido a adição de trigo à receita, e com isso a associarem as tradicionais cervejas de trigo alemãs. As vezes por entenderem que tem muito corpo, fator que as deixaria empanzinadas, ou por não apreciarem os sabores de cravo ou de banana próprios de tal estilo.

Ocorre, que, como já frisado, essas cervejas, apesar de levar trigo, tem corpo bem mais leve e não tem os aromas de banana ou de cravo, pois são fermentadas com leveduras distintas. Desta maneira elas possuem um perfil sensorial muito mais próximo das Pilsners do que das clássicas cervejas de trigo.

American Wheat da Trapa: harmonizada com rocambole de frango.

Por ser uma cerveja refrescante e leve, embora dotada de um caráter um pouco mais robusto do ponto de vista do malte e da lupulagem, a harmonização não obrigatoriamente precisa ser leve, como saladas ou frutos do mar. Carnes de aves associadas a algum tipo de molho ou recheio de média ou até mesmo de alta intensidade podem ser utilizadas nessa hipótese. Nossa recomendação para harmonizar com este estilo de cerveja seria, por exemplo, um rocambole de frango recheado com queijo cheddar.

As gorduras do frango e do cheddar harmonizam-se em contraste com a boa carbonatação e o amargor da cerveja, enquanto o umami de ambas fazem um somatório de complementaridade com o dulçor do malte, da mesma forma que pão e queijo se dão bem juntos. Para os amantes de pimentas, uma boa dica seria acrescentar este ingrediente ao prato, pois a marcante lupulagem da cerveja irá realçar o caráter picante.

O caráter refrescante e leve desta cerveja faz o resto do serviço. Sendo ela um estilo “daquelas que se pode beber todos os dias” (all day beers), depois de uma refeição leve de média intensidade é bastante fácil tomar mais umas duas ou três em um bate-papo com amigos ou assistindo a um bom programa ou lendo um bom livro.

Alguns rótulos:

  • Madalena American Wheat (5.0% alc. vol.);
  • North Coast Blue Star (4.5% alc. vol.);
  • Anchor Summer Beer (4.5 alc. vol.).